Maria
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Textos

Poesia de Virada

Quando o infinito acontece

o mundo fica mais bonito...

Como uma poesia de virada.

Um poema no brando da noite.

 

Sim, há algo de filosofia

e de sonho

na beleza deste instante

ao mesmo tempo -

como se a alma

fosse uma viajante antiga

que, depois de atravessar

muitos caminhos,

finalmente reconhecesse

a própria.

 

Por isso, quando

o infinito acontece,

a alma sabe.

 

Não há explicações,

não há medidas,

não há relógios capazes

de conter esse instante.

 

A alma sabe.

 

E quando ela encontra a si própria

em meio à tempestade do tempo

e aos descaminhos do destino,

reconhece-se.

 

Reconhece-se em seus ais,

em seus sonhos,

em suas perguntas,

e também nas sem respostas.

 

Porque há respostas

que não vêm em palavras.

Chegam como pressentimento,

como memória antiga,

como um silencioso saber

que mora muito fundo.

 

É então que o infinito desperta.

 

Abre os olhos

entre as frestas do tempo,

toca o coração

com mãos invisíveis

e ali faz morada.

 

E, à noite,

quando o mundo se aquieta,

o infinito também adormece -

não como quem termina,

mas como quem repousa

sobre o sonho cristalizado no coração.

 

Talvez seja isso a eternidade:

não a ausência de fim,

mas o instante raro

em que a alma se reconhece

e diz, em silêncio:

eu me encontrei.

 

“É quando o infinito acorda

e adormece com o sonho

cristalizado no coração".

 

Certos sonhos

não pertencem apenas ao desejo -

pertencem à própria alma.

E, quando isso acontece,

a alma sabe.

Maria
Enviado por Maria em 25/09/2026
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