Quando o infinito acontece
o mundo fica mais bonito...
Como uma poesia de virada.
Um poema no brando da noite.
Sim, há algo de filosofia
e de sonho
na beleza deste instante
ao mesmo tempo -
como se a alma
fosse uma viajante antiga
que, depois de atravessar
muitos caminhos,
finalmente reconhecesse
a própria.
Por isso, quando
o infinito acontece,
a alma sabe.
Não há explicações,
não há medidas,
não há relógios capazes
de conter esse instante.
A alma sabe.
E quando ela encontra a si própria
em meio à tempestade do tempo
e aos descaminhos do destino,
reconhece-se.
Reconhece-se em seus ais,
em seus sonhos,
em suas perguntas,
e também nas sem respostas.
Porque há respostas
que não vêm em palavras.
Chegam como pressentimento,
como memória antiga,
como um silencioso saber
que mora muito fundo.
É então que o infinito desperta.
Abre os olhos
entre as frestas do tempo,
toca o coração
com mãos invisíveis
e ali faz morada.
E, à noite,
quando o mundo se aquieta,
o infinito também adormece -
não como quem termina,
mas como quem repousa
sobre o sonho cristalizado no coração.
Talvez seja isso a eternidade:
não a ausência de fim,
mas o instante raro
em que a alma se reconhece
e diz, em silêncio:
eu me encontrei.
“É quando o infinito acorda
e adormece com o sonho
cristalizado no coração".
Certos sonhos
não pertencem apenas ao desejo -
pertencem à própria alma.
E, quando isso acontece,
a alma sabe.