Que nunca falte esse sentimento -
de pertença,
de conhecer profundo,
de reconhecer-se no outro
e nele encontrar
o Caminho para casa.
Que nunca falte a plenitude
de estar junto sem precisar explicar,
de conhecer os silêncios,
os pequenos gestos,
as delicadezas escondidas
que somente quem ama profundamente
aprende a perceber.
Que nunca falte essa sensação quase sagrada
de que o tempo, por um instante,
deixa de correr.
E que se possa viver,
ainda que em breves instantes,
a eternidade do amor -
essa estranha eternidade
que cabe inteira
num olhar,
num abraço,
numa mão que procura outra
e encontra.
Porque talvez a eternidade não seja
aquilo que dura para sempre.
Talvez seja aquilo que,
mesmo durando apenas um instante,
fica para sempre dentro de nós.