O destino de um coração que ama
é amar.
E entregar esse amor
para a felicidade do ser amado...
Seja pelo olhar,
pelo sorriso,
por um chamado de “vem cá”,
para um abraço que fale por si,
pelas palavras que fluem do peito
numa linda e íntima carta de amor,
pelo toque em momentos inesperados,
pelo querer estar sempre perto,
junto,
dentro...
Porque amar
é essa coisa quase inexplicável
de querer habitar o outro
sem lhe tomar o espaço,
de querer fazer morada
sem construir muros,
de estar presente
mesmo quando nenhuma palavra
é necessária.
É querer saber dos seus dias,
das pequenas coisas,
daquilo que o fez sorrir,
daquilo que lhe doeu.
É reconhecer seus olhos
mesmo no meio de uma multidão
e sentir, antes mesmo que ele fale,
que aquele é o lugar
onde o coração repousa.
É querer tocar sua mão
não para segurá-la,
mas para dizer, silenciosamente:
estou aqui.
É olhar
e deixar que os olhos contem
aquilo que a boca, tantas vezes,
não consegue dizer.
E talvez seja isso
o destino de um coração que ama:
não possuir,
não exigir,
não aprisionar.
Mas entregar-se.
Entregar a própria luz
para que o outro possa enxergar-se melhor.
Entregar ternura
para que seus dias sejam menos pesados.
Entregar presença
para que a solidão não seja tão funda.
E, quando possível,
entregar também o corpo do amor:
o abraço,
o beijo,
a mão dentro da mão,
o rosto junto ao rosto,
o silêncio dividido
sob a mesma noite.
Porque há amores
que não querem o mundo.
Querem apenas
um pequeno lugar
dentro do mundo do outro.
Um “vem cá”.
Um olhar demorado.
Um sorriso que fique.
Um abraço que não tenha pressa.
E talvez seja justamente aí,
nesse pequeno lugar,
que um coração que ama
encontre sua eternidade.