Não sei se existe uma pedra filosofal. De fato, não sei. Mas sei que existem pedras e, sobre elas, já filosofei. Inclino-me sobre o tampo da mesa e penso, cáustica, que o tempo leva tudo, até o pó das pedras que somos. Se há algo a sobrar, são as lascas e ferpas que se cravam no solado das horas destes pés que marejam caminhos sem volta - volta de idas não há, somente idas de voltas feitas - um círculo vicioso de meu anderejar. Não sei se existe uma pedra filosofal. Pra que existiria? Se fosse filosofia, seria um pensamento, e não uma pedra... Sim, eu sei: existem pedras e, sobre elas - mãos no queijo, olhos no infinito - já filosofei.