O passado se foi - as lembranças não são o passado. São uma imagem fugaz do tempo que aos poucos irá se apagando se dele não ousarmos buscar. Hoje vivo na idade da rocha, da pedra - calada de musgos e pequenos espinhos que uso para me proteger de mim mesma. Espicho os olhos na janela do tempo profundo, mas nem meu olhar consegue foguear o que está do lado do lado de lá. Na fuga que o sol faz de mim vou virando passado no coração que um dia aconchegou meu habitar. Arguto o tempo e ele me grita todos os dias que chegará aquele em que todas as luzes que me tocam na janela do tempo profundo também irão silenciar. Espicho os olhos na janela do tempo profundo, mas nem meu olhar consegue foguear o que está do lado do lado de lá.