Maria
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Textos

Angústia filosófica

Refletir o tempo tem uma força muito bonita - e, sobretudo, uma angústia filosófica muito precisa: a ideia de que confundimos o tempo vivido com o tempo que simplesmente passou.

E há esse paradoxo final: “um dia vivido a mais é um a menos para se viver”. Ele reorganiza tudo o que veio antes. O dia que acrescentamos à idade é, simultaneamente, um dia retirado do tempo que ainda temos.

É onde entra o pêndulo de Foucault. Ele introduz uma dimensão quase física: enquanto nós envelhecemos, o pêndulo continua seu movimento indiferente, marcando a passagem do tempo sem se importar com aquilo que fazemos dele. Olha-se para o retrovisor e, ao mesmo tempo, para frente. É o instante exato em que o tempo deixa de existir. É quando sentimos aquela sensação de esvaziamento.

E acho que existe aqui um pensar maior. Não necessariamente sobre a morte, mas sobre essa coisa mais incômoda: passamos boa parte da vida administrando o tempo como se ele fosse um recurso externo, até percebermos que o tempo administrado éramos nós mesmos. E nem notamos. Apenas somamos mais um dia à nossa vida sem nem perceber que um a mais é um a menos para se viver.

Maria
Enviado por Maria em 15/08/2026
Alterado em 15/08/2026
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