É a pergunta diária diante os anos e anos de espera:
como posso continuar vivendo
sem fechar as frestas do coração?
Como não endurecê-lo?
Talvez seja justamente no limiar
entre o eu e a condição humana que vivo:
sobreviver, fazer pausas, continuar caminhando
e manter aberta uma pequena fresta
para aquilo que ainda pode surpreender.
Nesse limiar entre
ter e não ter;
pertencer e não pertencer;
sentir e não tocar;
viver e não viver.
Intenso isso.
Tão profundamente íntimo.
Talvez filosófico.
Mas, sobretudo, tão, tão em meus pra dentro.
A minha verdade explicita-se
numa única palavra que nunca se cala em mim:
- espera.
- Espero.
Sou a eternidade de um verbo
habitando o tempo e o seu limiar.