Vivo, ou talvez deva dizer que sobrevivo
abrindo frestas nas bordas do tempo
para aquilo que o coração ainda ousa esperar.
- Também de cais vive uma canoa -
já me repeti centenas e milhares de vezes
para me ensinar o sentido das pausas.
Delas vivo, mas também sei
que a vida permanece aberta,
como o mar diante do barco,
como a dor no calcanhar
que nunca se cansa de pulsar.
De fato, o caminhar continua,
e, enquanto continua,
ainda existe espaço para o mistério,
para a transformação
e para o encontro.
Que venha -
mesmo em silêncio -
e que toque um riff antigo
de profundas saudades
pelo que deixamos de viver
e pelo que nunca tivemos.