Talvez meus dias sejam um oásis de quentura, onde procuro construir uma poética da travessia reconciliada com a vida. Não porque o abismo deixou de existir, mas porque, diante dele, ainda há espaço para o canto do passarinho, para a luz da lua sobre as águas, para o Minuano que dobra os trigais, para os canyons que guardam silêncio e para esse "ardor" de simplesmente existir. Penso que já encontrei minha paisagem interior. A vida não espera o desaparecimento do risco para florescer. Ela floresce apesar dele.