Maria
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Textos

O ranger do velho trem da vida

Existir nos torna vulneráveis aos desígnios do tempo e do espaço. Mas, vivemos nossos dias como se eles sempre fossem existir. E então vem o peso dos dias...

 

Pode demorar, mas um dia começamos a ouvir o apito e o barulho infernal do velho trem de carga da vida rugindo vagões sobre as ferrugens dos trilhos do tempo. Tentamos erguer asas, mas elas estão tão cansadas e salpicadas do sangue das feridas que, muitas vezes, nos fazemos com o próprio bico.

 

Nas horas do dia rolamos pela esteira do vai e vem das coisas, mas quando a noite chega e o silêncio se agiganta dentro do quarto escuro começamos a nos perguntar - sim - sobre as horas do tempo de nossa vida e sobre onde escondemos nossas vitórias e nossos fracassos por tantos milênios que se tornaram mais pesados do que a montanha mais alta do mundo.

 

E então, entre ruínas e marés sem nome a nos sufocar nos descobrimos mais um na escalada das ruas e tentamos, mais uma vez, sair da escuridão.

 

É quando temos consciência do que foi e não foi, quando nos quedamos a refletir do porque das coisas, das dores e pesos sobre-humanos que se agigantam sobre nosso peito sufocando-o que podemos encontrar a saída, a claridade, o brilho que surge por entre as frestas, as luzes que dançam do lado de lá do buraco da fechadura e para onde podemos nossos olhos fitar e fazer novas escolhas sobre para onde queremos continuar a ir ou para onde desejamos caminhar para esta luz encontrar e em sua luminosidade (mesmo que pequena chama) escolhemos - para sempre - ficar.

Maria
Enviado por Maria em 07/06/2026
Alterado em 07/06/2026
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