A dor da menina
de tranças ruivas e sardas
ainda compunge o peito.
São feridas
que nunca deixarão
de sangrar.
Como as tuas -
que te fizeram
e ainda te fazem
(se eu as pudesse curar).
E as velhas perguntas
ainda rondam o espírito:
onde o trigo moreno
para a colheita,
as bagas ataviadas de orvalho
nas manhãs
de gorjeio da passarada?
Onde?
Na madrugada
o choro de quiçaça ainda dói,
as lembranças se erguem
porque se misturam
à dor do teu cansaço,
as perguntas do teu coração.
Saudades
minhas,
suas.
Imensas.
Furacão ao léu,
força centrífuga,
girando, girando...
misturando tudo:
nós dois,
presente, passado,
terra e céu...