Maria
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Textos

A beleza da palavra escrita

Há sempre uma beleza rara na palavra escrita porque ao se desenhar hieroglifo no papel em branco o mistério aflora nesta linguagem cósmica que é, ao mesmo tempo, íntima, dolorida e luminosa, mas nasce fora dos pra dentro, entre sombras e escuros como uma voz que se move entre as respirações. É quando o poeta cata migalhas em dois mundos para fundir um só: estrelas, cosmos, luz, tempo profundo misturam-se à alma, silêncios, anseios, buscas, amor. E faz-se a dobra quebrando-se ou não a tessitura... Se eu consigo? Não sei? Sou uma eterna condenada a pensar e buscar palavras que me descrevam e aos meus pra dentro. Se minha insólita escritura falar, dirá que o cósmico não é metáfora, é extensão do meu coração... Por isso minha escrita dança entre dois universos: os meus de fora e os meus pra dentro. Não, não escrevo sobre teoria. Falo da dor surda que dá verdade ao texto. Dessa minha incapacidade - humana, pois é o que sou - de expressar o inexpressável. Por isso, navego profundezas para escrever minha literatura. E mesmo assim continuo, incessantemente, buscar dizer sem dizer... ... ... ... E a palavra - também a não dita - sempre falha, mas eu insisto..; ... ... ... E, sim, talvez seja nessa insistência que crio a força para não parar de escrever. Por isso... escrevo... e, descubro a cada dia que há uma beleza rara na palavra escrita, um milagre de seu próprio existir: um pensar que se desenha em hieroglifos sobre o papel em branco. Meu pequeno milagre, meu mistério... a minha palavra escrita...

Maria
Enviado por Maria em 11/12/2025
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